Escandinávia: a herança Viking (parte 1)

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Posso cantar                                    minha própria história,
falar de minhas viagens,                      e como muitas vezes sofri
tempos de dura navegação       e dias de muito afã;
Amargas carências                        amiúde em muitos portos,
E muitas vezes aprendi            que difícil morada
é um barco em uma tormenta,     quando chegava meu turno
na árdua noite de vigia           à proa do navio
vendo passar os alcantilados.     Muitas vezes estiveram meus pés
aprisionados pelo gelo              em gelados calçados,
Torturado pelo frio,                      dominado pela angústia
Meu coração atormentado,              anelando uma ajuda
Minha cansada mente de marinheiro…  …E ainda uma vez mais
O sangue em meu coração              outra vez mais
empurra-me para tentar                brincam as salgadas ondas;
O mar parece montanhas,           urge novamente
O impulso de meu coração             visitar longínquas terras

Empreender uma nova viagem,      em mares muito distantes…
Conhecer outros povos

                                                            (O marinheiro: Poema Viking)

Os Vikings, formados por noruegueses, suecos e dinamarqueses, entraram em cena entre os anos 793 e 1066 d.C., e atingem o seu esplendor, por ser um povo de navegantes de mares açoitados continuamente por terríveis tormentas. Isto fez com que desenvolvessem, melhor que outros povos, a arte da navegação e chegassem a construir barcos superiores aos dos demais povos europeus, o que lhes permitiu abrir rotas comerciais pelos principais rios navegáveis da Europa e da Rússia ocidental e colonizar terras até então inexploradas.

E assim se mantém a Escandinávia, uma região do norte da Europa que abrange não só os países Vikings, mas também a Finlândia, as Ilhas Faroé e a Islândia. Considerada como a região da economia mais bem sucedida e da melhor qualidade de vida, a Escandinávia foi repetidamente despovoada e desprovida de fauna e flora terrestres ao longo do tempo. Hoje, são mais de 15 milhões de habitantes espalhados por 780.000 quilômetros quadrados, em terras geladas cuja temperatura média anual é de 6 graus.

Cercada de mitos, histórias e muita beleza, além é claro da sua superioridade no quesito democracia, competitividade e índice de desenvolvimento humano (IDH), a Escandinávia sempre me instigou, mas tardei a conhecê-la justamente por ser uma região bem cara.

Em agosto de 2015, indiscutivelmente tinha que ser no verão (pelo menos para uma primeira vez), realizei mais esse sonho – conhecer os países triple A. Foram 15 dias incríveis percorrendo a Noruega, a Dinamarca, a Suécia e a Finlândia, cada um com sua peculiaridade e encanto.

Sai de São Paulo com destino a Oslo, capital da Noruega, nossa primeira parada. Eu e minha amiga, que vinha de Nova Iorque, apontamos as cidades que queríamos conhecer, mas a quantidade e os dias exatos para estar em cada uma foi visto em seu momento assim, reservas de acomodação e deslocamento foram super de improviso, do jeito que gostamos. O único hotel que reservamos com antecedência, pela caçada da Aurora Boreal, foi em Saariselka, na Finlândia.

A começar: Oslo é uma cidade que mescla perfeitamente uma arquitetura histórica e vanguardista, com edifícios que refletem a grandiosidade, a força e os contrastes da natureza, com a utilização inovadora de madeiras e outros materiais sustentáveis.

Caminhando pela Karl Johans Gate, desde a grande estação central de trem, apreciamos as construções mais antigas como a Catedral, o Parlamento e o Teatro Nacional, que se entrepõem a boutiques de grandes marcas, até chegar ao monumental Palácio Real. Circulando pelos arredores vê-se um edifício de lajotas marrons com um grande relógio em uma das torres, onde esta a sede da Prefeitura e ao lado o Nobel Peace Center, onde anualmente recebe grandes personalidades para a entrega da premiação mundial.

Palácio Real – Oslo

Seguindo em direção a região portuária da cidade, revitalizada recentemente, admiramos a competência e a ousadia dos arquitetos noruegueses. É de cair o queixo tamanha inovação e beleza! Modernas residências, museus e restaurantes entre os canais e protegidos pelo Forte Akershus e seu imponente Castelo Medieval do século XIV.  Agora, imagina poder sentar no teto de um teatro e admirar o mar. Isto é possível na Oslo Opera House, o centro de artes mais importante do país, inaugurado em 2008 e inspirado em um tímpano emergido do mar. A construção, integralmente revestido de mármore e vidro, ainda é criticada por alguns cidadãos que a vê com uma demasiada ousadia arquitetônica, mas é inegável a sua grandeza.

As construções vanguardistas do porto de Oslo

Mas ala do centro, no bairro de Frognerparken, após uma longa e valiosa caminhada com paradas para degustar os queijos locais em barracas espalhadas nas praças, mas que também é acessível por transporte público, encontra-se o estupendo Vigeland Park. Um museu a céu aberto com esculturas (212 no total) intrigantes de Gustav Vigeland. Um espaço delicioso para relaxar durante o  verão sob o seu gramado verdejante, enquanto tenta entender cada fragmento da escultura de ‘Monolitten’ (Monólito).

Não pudemos degustar mais desse incrível parque, pois estávamos atrasadíssimas (isso significa quase perdemos o trem) para o próximo destino, a cidade de Gotemburgo na Suécia. A minha sorte, depois de perder um trem e outras histórias que conto mais adiante, foi ficar um dia a mais em Oslo, antes de voltar ao Brasil, onde pude conhecer o Jardim Botânico e a National Gallery, que além do famoso quadro “O grito”, pude contemplar uma exposição encontro entre Edvard Munch e Claude Monet.

Oslo foi uma cidade que me surpreendeu muito. Há muito mais a ser visto, por isso, recomendo reservar mais de 3 dias e também, se possível evitar caminhar pela região de Grunerlokka, não pelo perigo, mas pelas bizarrices.

Após mais de 4 horas de trem, chegamos a fenomenal Gotemburgo, a segunda maior cidade da Suécia. De polo industrial e portuário, Gotemburgo trocou o cinza pelo colorido de uma cidade cosmopolita e efervescente.

Enquanto estávamos no trem vimos que a cidade contempla uma boa quantidade de restaurantes renomados, inclusive com estrelas Michellin e então elegemos um para o jantar porém, ao chegar ao terminal de trem central, tivemos um pequeno problema de localização onde o GPS só atrapalhou e então, só depois de mais de uma hora rodando aquela região, encontramos nosso hotel.

A boa notícia de tudo isso foi a doce surpresa ao entrar no hotel: o mais fofo e aconchegante que me hospedei até hoje, o “Hotel Pigalle” (falo mais sobre no post: Hotéis pelo Mundo). Com tamanho encantamento, perdemos mais algumas horas e então quando chegamos no restaurante Thornstromskok, já estava fechado. All right! O que fazer agora? Decidimos então voltar a região central e encontrar qualquer lugar para aplacar a nossa imensa fome…Rodamos a capital gastronômica da Suécia e acabamos em um Kebab (risos), com direito a discussões e tudo mais.

Igreja Presbiteriana de Gotemburgo

Descansadas, após um delicioso café da manhã, fomos fazer nosso programa de viagem preferido: caminhar e explorar. Guia e mapa em mãos (velhos e bons hábitos viajantes), um sábado ensolarado de verão, cidade lotada; seguimos por entre os canais passando pelas Södra (rua) Hamngatan e Stora Nygatan, onde estão os parques Kungsparken e o Trädgardsföreningen, que convidam a contemplar os pequenos barcos que vão e vem pelos canais. Aproveitamos para nos “esconder” entre os milhares que assistiam a um festival aquático no Rio Gota Alv e nos fartar com as barras de cereais que estavam distribuindo no local (risos). Continuamos a caminhada sentido o bairro “cool” de Haga e suas ruas de paralelepípedos até, após subir 192 degraus, chegar a torre de Skansen, de onde é possível ver Gotemburgo em 360 graus. Para finalizar nossa curta estada na cidade, comemos no disputado John Scott’s Palace e seguimos rumo a Copenhague.

Canais de Gotemburgo

Dica: Gotemburgo é ótima para pedalar. Até tentamos, mas não foi possível completar o processo.

Pesquisamos a opção de alugar um carro em Gotemburgo para seguir até a Dinamarca, porém acabamos optando (por uma questão econômica) pelo trem. O percurso é de 4 horas, com conexão na cidade sueca de Malmo, bem próximo a Dinamarca.

Indubitavelmente a parte mais sensacional do percurso é cruzar os 16 km. da Ponte Oresund. Esta magistral obra da engenharia, construída entre os anos de 1995 e 1999, que liga a Dinamarca à Suécia, através do estreito de Öresund, sendo a maior ponte rodoferroviária da Europa. Este complexo é composto pela ponte (7845 m), o túnel submarino (3510 m) e a ilha artificial de Pepparholm (4055 m). Não é possível ter uma visão muito privilegiada desde o trem, mas só pela sensação de emergir e submergir ao cruzar os países, já é incrível.

Desembarcamos no aeroporto de Copenhague e de lá seguimos de metrô até o centro da cidade, na Praça Kongens Nytorv e como nos perdemos um bocadinho, depois de parar para comprar um sorvete, acabamos por chegar tarde ao hotel. Resultado: descansar e aproveitar o dia seguinte.

Como é estar no país mais feliz do mundo, cuja capital parece ter saído de um conto de fada com seus imponentes e deslumbrantes palácios e castelos? Não sei no inverno, mas no verão é pura curtição. Há muito a ser visto e admirado na cidade com uma quantidade surreal de bicicletas circulando.

Era um lindo domingo de sol e de maratona européia de triathlon, então havia gente por todo o lado. Começamos com um delicioso brunch no Café Norden, na Praça Amargertorv, na rua mais famosa da capital – Stroget e suas derivações. De lá seguimos caminhando, até o Palácio de Christianborg e seu lindo complexo arquitetônico, com uma posterior paradinha para apreciar os maratonistas.

Jardim Botânico – Copenhague

E como não conhecer o segundo maior parque de diversões do mundo (1843), mesmo que por fora. Tivoli, já seria vultoso pelo seu enorme jardim de quase 86 mil metros quadrados, mas há ainda restaurantes, shows, parque de diversões e lojas. Se quiser desfrutar, vá com tempo.

De lá seguimos para a Radhuspladsen (Praça da Prefeitura) no coração da cidade, passamos e descansamos um pouco no encantador Jardim Botânico  que fica ao lado do Castelo Rosenborg, que até aproximadamente 1710 foi a residência da Família Real e hoje é um museu aberto ao público. Em seguida fomos ao famoso e fofíssimo Nyhavn, o moderno espaço de entretenimento de Copenhague, marcado pelas casas coloridas no entorno do canal. Lá sentamos em um restaurante para desfrutar os últimos raios de sol do dia.

Nyhavn

O nosso terceiro dia na divina capital da Dinamarca não foi dos mais favoráveis climaticamente. Havia um vento que nos obrigava a agasalharmos e algumas nuvens negras que, por fim, trouxeram chuva. Sim, tomamos um banho de chuva em Copenhague!

Como não podíamos deixar de apreciar a estátua ícone do mais ilustre dinamarquês, o escritor de contos infantis Hans Christian Andersen, seguimos rumo ao acolhedor Parque Langelinie, e a guarnição militar de Kastellet, onde também há charmosos moinhos rodeado por alguns antigos canhões.

Moinhos de Kastellet

Mas antes de chegar a pequena (e decepcionante) estátua da Pequena Sereia, tivemos a oportunidade de ver a troca da guarda, acompanhados  da Orquestra da Guarda Real, em frente a residência oficial dos reis dinamarqueses, o Palácio Amalienborg. Trata-se de um complexo composto de quatro palacetes, construídos em volta de uma praça octogonal, no centro da qual há uma escultura representando Frederik V, rei dinamarquês que ordenou a construção do palácio.

Estátua da Pequena Sereia

E assim termino a primeira parte das aventuras no mundo Viking (impossível escrever tudo em um único post), me despedindo da exuberante Copenhage! Próximo encontro: Malmo (Suécia).

Até mais!

 


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