Duas mulheres e um carro: nossas aventuras pelo Reino Unido (Parte 2)

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No post anterior comecei a narrar novas aventuras de carro pelas terras da Rainha. Uma viagem linda e cheia de histórias.

Agora, com um carro mais potente, seguimos viagem rumo ao norte da ilha. A meta do dia era chegar em York, passando por Liverpool. Desde Manchester rodaríamos 54 km a oeste até Liverpool e depois mais 160 km a nordeste até chegarmos a nosso destino do dia.

As peripécias com o “Pantera Vermelha” não findaram-se em Manchester. Assim, que entramos na cidade dos Beatles, comecei a sentir um cheiro muito forte de fumaça. Abri a janela, mesmo com a garoa inglesa, e percebi que o odor vinha do nosso carro e estava cada vez mais forte. Pânico! Nenhuma luz acessa no painel para nos alertar, então o que seria?!

Nossa rota total pelo Reino Unido

Estacionamos em uma pequena rua e fomos tentar averiguar o que se passava, mas, é claro que não entendemos nada de mecânica automobilística e acabamos por acionar o seguro. A chuva nesse momento começou a piorar e enquanto a minha amiga tentava explicar à assistência o que “tecnicamente” estava acontecendo, eu buscava alguma indicação para que pudéssemos ser localizadas. Esse “bate papo” com a Central de Atendimento da Seguradora demorou uns 40 minutos mínimo.

Assim que o mecânico chegou, ligou o automóvel e deu uma pequena volta para testar e quando voltou até nós, simplesmente disse: “não há problemas, apenas que vocês não estão engatando corretamente as marchas e isso faz com que a embreagem trabalhe de maneira incorreta e gere o odor (ou algo do gênero risos)…A nossa cara nesse momento ficou da cor do carro, ou seja, o mecânico delicadamente tentou nos dizer: “Que espécie de motoristas vocês são?!”.

Passado mais essa experiência, seguimos ao porto da cidade para conhecer o Museu da maior banda de todos os tempos. Albert Dock é uma das principais atrações e patrimônio cultural do país, ostentando museus, galerias, restaurantes e bares. Nessas docas estão o museu “Beatles Story”, o Tate Liverpool, o International Slavery Museum e o Merseyside Maritime Museum. Uma ótima pedida, mas como nosso tempo era curto, privilegiamos a história da banda de Lennon e cia. Certeiro! O museu é fascinante, principalmente para quem cresceu ouvindo os LPs da coleção do pai e fez seu próprio dossiê para as próximas gerações. Então, essa sou eu; uma beatlemaníaca.

Para fechar a rota, fomos até o Cavern Club, o bar mundialmente conhecido por ser o local inicial da carreira dos Beatles. Não chegamos a entrar, tiramos algumas fotos e fomos em busca de um restaurante tamanha a fome que nos abatia. Detalhe: a cidade depois das 5 da tarde morre. Encontrar um restaurante aberto foi uma missão quase impossível e acabamos por entrar em um Pub e devorar um hambúrguer com fritas.

Cavern Club – Liverpool

ByeBye Beatles, seguimos viagem. Nosso planejamento era o seguinte: sabíamos aonde ir, mas onde dormir era um detalhe. Costumeiramente, reservávamos um hotel horas antes de chegar a cidade e assim que encontrávamos uma rede wifi disponível. Porém isso não foi possível para York.

Cidade medieval de 200 mil habitantes, pouco conhecida pelos brasileiros, imaginamos que não seria difícil encontrar um local para se hospedar. Grande engano! Rodamos a cidade em busca de um local com uma cama e uma ducha para passar a noite e, depois de um bom tempo encontramos um quarto disponível (por um preço condizente com a situação de emergência).

York

Ah, claro: a intenção de chegar no quarto, tomar um banho e dormir foi interrompida pelo som do alarme de incêndio que nos fez sair de pijama pelos corredores e como se não bastasse, tranquei o quarto com a chave dentro…

Dia seguinte, baterias recarregadas, bora passear pela belíssima York. Uma cidade murada com um centro composto por estreitas ruas que abrigam uma enorme catedral medieval e um lindo castelo, é historicamente a cidade mais importante de todo o país. Uma pena que ficamos tão pouco tempo.

Na manhã seguinte deixamos a Inglaterra rumo a Escócia, o destino de meus doces sonhos…Como o trajeto era longo (335 km), o plano era pararmos em alguma cidade no extremo norte da Inglaterra para descansar e comer. Optamos por Newcastle a 140 km de York, mas antes, ao deixarmos a pequena cidade medieval, em um diminuto posto de gasolina de uma estrada rural, tivemos mais uma vez que pedir ajuda a um prestativo motorista para abrir o tanque de gasolina do nosso carro.

Chegamos em Edimburgo no final da tarde e, como a cidade estava na temporada de festival, tínhamos reservado o hostel com bastante antecedência. Se dirigir na mão esquerda já é uma batalha, duplique o desafio quando for a Escócia. É praticamente uma trilha de Mario Bross, além é claro de não existir estacionamentos públicos. Sei que rodamos bastante até encontrar um local que permitia estacionar por um espaço de tempo (tipo até as 7 da manhã). Primeira ronda para conhecer a charmosa capital da Escócia.

Vista da cidade de Edimburgo – Escócia

Escócia é sinônimo dos melhores whiskys, das Gaitas de Fole, dos homens de Kilt, e também da baixa temperatura, pois mesmo no auge do verão, calça, jaqueta, cachecol e um guarda-chuva são imprescindíveis. Visitar o esplendoroso castelo de Edimburgo é obrigatório, assim como presenciar um tiro de canhão às 13 horas. Há muita coisa interessante a ser vista, então reserve algumas horas antes de descer pela Royal Mile, a via principal que cruza a Old Town. A cidade tem inúmeras atrações, assim a sugestão é: pegue um mapa (sou tarada por papel) e vá. Há sempre algo a ser visto e melhor, acompanhado de whisky. Nos pratos excêntricos de carnes, na sobremesa, na lojinha de souvenir e é claro nas destilarias.

Castelo de Edimburgo

Edimburgo é daqueles lugares mágicos que sempre imaginamos como cenário perfeito dos contos de fadas!

Ah, de volta ao assunto carro: por 2 minutos não chegamos a tempo de retirá-lo da vaga pública e foi quando vimos uma jovem guarda aplicar a multa. Mesmo com muita argumentação e apelos a única maneira foi solicitar formalmente o cancelamento em uma subsede da prefeitura local, onde é claro, passamos um largo período, além disso pagamos uma fábula para deixar a “pantera roja” no estacionamento de um shopping center durante todo o dia.

Dois dias depois pegamos a estrada novamente. Enfim, a Escócia também é sinônimo de Monstro do Lago Ness. De Edimburgo à Inverness são 250 km. de vias tranquilas e paisagens deslumbrantes. Há tanta calmaria e beleza que te faz olvidar a distância.

Highlands! (muitos suspiros) A primeira surpresa quando chegamos a cidade foi o hotel que reservamos. Um meigo chalé britânico em frente ao Rio Ness, que também estava promovendo um festival de cerveja (seria melhor um festival de vinho tamanho o frio).

Castelo de Inverness

Como trata-se de uma cidade pequenina, pode-se fazer tudo a pé. Atravessar as pontes, admirando as flores e construções triunfantes é uma regalia. Além de ter a oportunidade de ir a caça do Nessie.

No terminal de ônibus é possível comprar um passeio até o Castelo de Urquhart, que fica em uma pequena ilha no meio do lago. Pelas disputas envolvendo a posse do castelo, o local passou por várias modificações e ampliações, desde sua construção no século XIII, até ser abandonado no século XVII. Suas ruínas sob um verdejante gramado, as margens das águas profundas do lago, mantém-se encantadoras. Mas nada do monstro aparecer!

Castelo de Urquhart – Lago Ness

Na manhã posterior, seguimos em direção, ao que foi para mim, o ponto auge da aventura – Ilha de Skye. A 200km ao norte de Inverness, o caminho de planície rústica entre as montanhas já é um deslumbre. Vales e mais vales, quando de repente, avistamos o Eilean Donan Castle. Apesar da rodagem cansativa, fazer essa rota de carro foi um privilégio.

Castelo de Eilean Donan

E quando enfim chegamos a Skye…(só de lembrar me emociono indescritível tamanha beleza!) Épico e melancólico, a cada curva um suspiro. Estreitas vias campestres que cruzavam pequenas vilas cênicas e que seguiam o ritmo da ovelhas transeuntes. Um sobe e desce magistral que sempre chegava ao esplendor. Apreciar uma lagoa na beira de um precipício, que se torna uma bela cachoeira, desembocando diretamente no mar (Mealt Falls) ou subir um montanha em constante movimento (Quiraing). Isto e muito mais é Skye!!!!!

Quiraing – Ilha de Skye
Mealt Falls

Sinto tê-la visto de passagem, pois tivemos que retornar no mesmo dia a Glasgow para devolver o carro. Foram mais 200 infinitos quilômetros junto ao rio, entre grandes árvores e aproveitando cada sopro de vento. Nossa aventura pelo Reino Unido em 4 rodas acabou no estacionamento do aeroporto de Glasgow na véspera do meu 37° aniversário. Daí, seguimos para a Irlanda…mas isso é para um outro post.

Foi uma das melhores experiências da minha vida e recomendo um milhão de vezes.

**FIM**

Ovelhas transeuntes nas vias de Skye
Estradas pela Ilha de Skye

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