Se perder por Mallorca

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Uma das coisas que mais me encanta morando na Europa, é a facilidade de transitar entre cidades e países a baixo custo. Os sites das companhias áreas “low cost” são como uma vitrine de shopping center. E foi em uma dessas que comprei bilhetes para Palma de Mallorca, desde Valência a 5 euros cada trajeto, ou seja, o preço de 2 cervejas no boteco da esquina.

Seria umas férias rápidas, apenas 4 dias, mas considerando que a distância é de 40 minutos sobrevoando o mar Mediterrâneo, tranquilo. Não tínhamos muita escolha em relação as datas; partimos em uma terça-feira com retorno na sexta (sem final de semana). Mas para que: Palma é turística o ano todo!
Segundo passo, reservar uma acomodação. Optamos por um quarto através do Airbnb, seguindo a programação baixo custo da viagem. Acontece que baixo custo em Palma é um pouco relativo, ainda mais se considerarmos o custo de vida do restante da Espanha, em especial Valência, mas enfim, encontramos algo acessível próximo ao centro da capital.

Tanto eu quanto meu namorado não possuímos carta de motorista para conduzir aqui, então a única opção era utilizar o transporte público local. Os problemas: primeiro; a ilha é muito grande e as mais bonitas praias e calas (enseadas) são distantes e de difícil acesso; segundo; os horários e a quantidade de ônibus e trens são restritos, às vezes sendo necessário mudar de transporte mais de 3 vezes e terceiro; o custo, as passagens são cobradas por zona (linhas), ou seja, quanto maior o trajeto, maior o custo, e podem chegar a 8,50 euros cada percurso.

Concordo que talvez possa soar estranho para alguns considerar uma média de 5 euros a passagem do ônibus cara…mas, moro na Espanha, um país relativamente barato considerando outros gigantes europeus.
Continuando…Ao chegarmos em Palma, às 10 da noite, pegamos um ônibus no aeroporto que nos levou até o centro da cidade (5 euros) e que circula até a 1:30 da madrugada. Tranquilíssimo!
Como chegamos tarde e na Espanha os restaurantes costumam fechar a meia noite, a opção foi um “Kebabs” rápido ao lado do apartamento. Ah, uma outra coisa que me encanta na Espanha: há um “kebabs” em cada esquina.

Na manhã seguinte, após um extenso planejamento, visto a nossa (falta de) opção com o transporte, decidimos conhecer calas não muito distantes, mas que segundo o site disfrutalaplaya.com, eram preciosas.
O ônibus passava pela Marina de Palma e seguia até Sol de Mallorca, o ponto mais próximo às Playa el Mago e Portals Vells, no município de Calviá. Depois de descermos no ponto final da linha, caminhamos mais 20 minutos ladeira abaixo em uma trilha suave (detalhe interessante: no google maps, esta trilha está nomeada como calle Montealegre).

Chegamos a Playa El Mago, uma pequena cala virgem de águas calmas e cristalinas, pouco ocupada e sem a presença de quiosques, ideal para desfrutar da paz sob a sombra das árvores.
Seguindo a trilha mais uns 5 minutos, chegamos a Playa Del Mago (calma, não é a mesma), um pouco mais movimentada por conta de um restaurante próximo. Tão impressionate quanto, a Playa del Mago é uma praia onde permite-se a prática do nudismo, mas como não somos muito adeptos a isso, resolvemos partir para a próxima.

Mais uns 8 minutos de trilha e estávamos na Playa Portals Vells, que está localizada próximo ao clube náutico com o mesmo nome. Esta praia por ter fácil acesso a estrada, é bem movimentada, considerando que há também um restaurante ao lado. Próximo a praia, há uma caverna com três portais esculpidos naturalmente na rocha. Lindo de se ver! Aproveitamos para relaxar e curtir a maravilha do lugar por algumas horas.

Já refrescados, decidimos seguir a andança rumo a outras 2 calas recomendadas e que, segundo o google maps, não eram muito distantes…É melhor não confiar por completo, porque foi assim que nos perdemos bonito! Fizemos o mesmo trajeto da ida e seguimos a costa um pouco mais adiante no sentido da Caló de la Bella Dona. Sabíamos que o acesso era escondido, mas não tanto. A indicação que obtivemos na internet era começar a trilha na esquina das ruas Embat com a Avenida Joan Miró e continuar por trás de uma casa, mas não encontramos nenhum acesso, apenas grandes propriedades particulares.…andamos umas 2 horas por estradas, ruas e trilhas inóspitas e nada de encontrar esta tal enseada, e então acabamos desistindo e partimos para a próxima. Mas para ajudá-los a não cometer o mesmo erro, aí vai a dica: siga de ônibus (linha 107) pela Avenida Mallorca e desça na altura do número 11.116 (parada em frente ao Condomínio La Floresta del Mar), vire à esquerda na Calle de l’Alba e seguindo-a, encontrará o início da trilha. Creio que uns 20 minutos de caminhada.

Continuamos nossa trilha dos perdidos até encontrar uma viva alma caridosa que nos explicou como chegar a Cala Del Falcó (próxima a Bella Dona). Pequena, com muita sombra natural e água cristalina, possui um bar/restaurante muito fofo e com uma decoração incrível – O Cap Falcó Beach. Depois de tanto esforço físico, permanecemos ali por um par de horas.

O acesso a Cala Falcó, para quem não é tão perdido como nós ou para os que visitarão Mallorca após ler este post, é fácil. São 11 minutos caminhando em ruas asfaltadas, desde a parada de ônibus (linha 107) do Hotel Occidental Cala Viñas.

No dia seguinte, mas uma maratona pelas praias e enseadas mallorquinas. Em princípio iríamos até as praias da região de Santanyí, onde há uma maior concentração de lugares paradisíacos, porém em decorrência da distância e do curto tempo que tínhamos, decidimos ir até a cidade de Alcúdia, uma cidade encantadora ao norte da Ilha, cujo centro histórico está rodeado pela única muralha totalmente conservada de toda Mallorca e erguida no século XIV para proteger seus habitantes. As ruas e praças em seu interior contam com diversos restaurantes e lojas, além de belas construções, ou seja, vale muito a pena conhecer um pouco desta cultura além das águas.

Para chegar a Alcúdia, desde Palma, basta pegar o ônibus – linha 351 na estação Intermodal e em 60 minutos estará ao lado de uma das portas de acesso da cidade antiga.

Depois de conhecermos esta parte histórica, fomos caminhando (20 minutos) até o porto da cidade, onde também está uma extensa praia turística da região. Em seguida, tomamos outro ônibus (várias opções), ali mesmo próximo ao porto, rumo à belíssima Playa de Muro. E como é lindo ver o degradê de azuis contrastando com a areia branca. E lá permanecemos muitas horas aproveitando cada raio de sol e cada gota de mar. Na volta a Palma, pegamos o mesmo ônibus 351 na parada em frente ao Hotel Parc Natural.

A noite, um pouco mais descansados, fomos jantar no restaurante/bar Beewi Azul, localizado na Carrer de Monsenyor Palmer, próximo ao porto de Palma. Ambiente agradável e bom atendimento, mas com restrita variedade de pratos no cardápio. Após o jantar, seguimos para o centro histórico de Palma, onde pudemos apreciar as luzes da Catedral e dos Palácios de Almudaina e Llotja, além das belíssimas ruas e construções da região.

Em nosso último dia de Mallorca, optamos por não praia e sim por algo mais cultural. Saímos rumo ao Castelo de Bellver (Bela Vista), uma fortificação de estilo gótico catalão, construído em princípios do século XIV, que se encontra em um monte a 112 metros do nível do mar, em uma zona rodeada de bosques, de onde se pode contemplar a cidade, o porto e a Serra da Tramuntana. Para chegar até o Castelo, você pode pegar o ônibus turístico ou táxi ou, ser aventureiro ofegante e subir as centenas de degraus que cruzam o bosque. Aberto de terça a domingo, com entrada a 4 euros (gratuito aos domingos). Vale muito a pena, pois o Castelo está muito bem conservado, e abriga o museu da História da Cidade, além de realizar exposições e concertos, sem contar a linda vista.

Saindo do Castelo, voltamos ao centro de Palma para apreciá-lo a luz do dia. Uma paradinha na deliciosa Doceria Forn Del Sto. Cristo (Carrer de les Monges, 2-4) antes de voltar para casa. Isso tudo caminhando…

Ilha maravilhosa, passaria uns 15 dias no mínimo, de preferência levando um amigo motorista da rodada. Mas valeu todo o perrengue. Mais um check na lista de lugares imperdíveis.

Comente, sugira, questione. Sua participação é muito importante.

Besous

Curiosidade de Mallorca: Pode-se dizer, sem exageros, que Mallorca é a Alemanha insular, pois chega-se a contar 4 milhões de germanos passando férias ali a cada ano, isso sem contar os residentes. Transitando por Mallorca principalmente na região de Magaluf, além de ouvir o idioma, as placas de bares, restaurantes, centros médicos e lojas, estão também nesta versão.


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