Qual o significado de 12 de junho?

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Hoje, 12 de junho, dia dos namorados no Brasil. Exclusividade do país que prefere a festa “sô praieiro, sô guerreiro, tô solteiro, quero mais o quê” à comemorar o dia do padroeiro dos apaixonados, São Valentim, no mês de fevereiro. Claro, não podíamos sobrepor o Carnaval a uma festa meramente comercial de trocas de presentes. Sobrepor a proclamação da solteirice e da liberdade (sexual) a declaração do amor e da amizade.

Em tempos onde os casais postam fotos juntos e com uma sorriso imenso tendo sua homologação de divórcio em mãos, com uma festa ainda maior (e mais cara) que sua própria boda como cenário, pode-se esperar algo diferente.

Então o que dizer das inúmeras postagens e declarações de amor no nosso timeline facebookiano de hoje. Não, claro que não é completa falsidade e exuberância, talvez um pouco de sentimentalismo e exposição em demasiado, mas não deixa de ser amor (em qualquer sentido).

Confesso, faço parte dos milhões de pessoas que ao acordarem, antes de apreciar o bom café matinal, correram seus celulares e publicaram a melhor foto dos pombinhos com um belíssimo poema de Vinicius de Morais ou de Jorge e Matheus.

Não faço apologia ao anti-amor, pelo contrário, sou alguém que aprecia e almeja as relações tradicionais. Li todos os contos de fadas quando criança e vou, seguramente, mostrar aos meus filhos.

Por um longo período, vivi pelo limbo dos descrentes e viventes das micaretas, mas na realidade, havia sempre uma ponta de esperança que ao final do arco íris, a arca do tesouro seria encontrada e enfim o príncipe me despertaria com um beijo doce.

Nesse ínterim, muitas teorias e vivências me intrigaram. Passei por relações masoquistas e suplicantes, extremamente unilaterais, com ambições escassas e contentamentos vazios. Enfim, fui, como muitos, uma protagonista de Zygmunt Bauman em Amor Líquido.

Relações que não se sustentam, sem forma, frágeis ou até inexistentes…uma mera ilusão, fruto de nossas expectativas diante de uma realidade caótica e superficial.

Cresci ouvindo o mundo de Alice, mas aprendi com a independência e valentia de Joana D’arc, nem por isso deixei de ser piegas e acreditar na existência do amor. Mas em que transformamos o amor?

Talvez em uma mera conexão. Basta um clique em baixar aplicativos e já estamos diante de uma cartela de produtos com suas características baseadas nas melhores técnicas de vendas. Um guia de como, onde e quando encontrar o par ideal ou apenas a companhia de uma noite. Estabeleço e elejo o parceiro através de uma foto montada e filtrada e suas qualidades replicadas de um livro de auto ajuda e, sem o menor remorso e embaraço, o substituo por outro aparentemente melhor…Tudo muito fácil e prático se fossemos máquinas, porém, por mais que tentamos ocultar e sobrepujar nossos sentimentos, eles nos perseguirão e a frustração se instalará, e então provaremos a dor e da delícia de ser o que é.

Seria exagero comparamos o Dia dos Namorados ao consumismo capitalista? Creio que não, pois em uma sociedade onde os bens de consumo já não são mais fabricados para que durem, o hábito de consertar e reformar algo que estragou foi suprimido pela aquisição de um produto novo, recém lançado no mercado, não deixa de ser uma data fortemente comercial, em seu sentido mais amplo.

Hoje, encontrei alguém que está pareado comigo e sim, aos 40 anos, celebro diariamente o nosso amor, com exposições, juras e proclamas. Enfim, não deixei de acredita no amor … aquele que não é líquido, mas que permite todas as mudanças de estados da matéria, com perdas e ganhos, mas mantendo sua essência.

…há muitos relatos de relacionamentos que começaram pela internet e em baladas, micaretas…

Feliz Dia do Amor!


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